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Cuidados nutricionais para os desconfortos do tratamento oncológico

Muitos tipos de câncer podem ser evitados, e muitos casos podem ser tratados com sucesso, se identificado logo no início.

Por Isabella Brescia

O câncer se caracteriza pela proliferação anormal das células que se dividem continuamente. Esse crescimento celular desregulado pode se espalhar e invadir o tecido normal, formando uma neoplasia maligna, que pode se disseminar para outras partes do organismo. O câncer pode surgir em qualquer idade e se desenvolver em qualquer parte do corpo. Depois das doenças cardiovasculares, é a segunda maior causa de morte no Brasil. Existem mais de cem variedades de cânceres, que se enquadram em quatro tipos principais: sarcomas, carcinomas, linfomas e leucemias.

Muitos tipos de câncer podem ser evitados, e muitos casos podem ser tratados com sucesso, se identificado logo no início. O risco do desenvolvimento do câncer pode ser reduzido com uma avaliação médica adequada, cuidado com sintomas e fatores de risco, autoexame regular e uma alimentação e estilo de vida de saudáveis.

Quando o câncer se instala é muito importante procurar uma nutricionista, uma vez que tanto a doença quanto seu tratamento exigem uma boa nutrição para auxiliar na recuperação.  A terapia nutricional irá levar em consideração o estágio, tipo e localização do tumor, além da fase do tratamento. A cirurgia, que ainda é a principal forma de tratamento, também requer uma dieta altamente nutritiva para uma recuperação bem-sucedida.

A perda de peso é comum entre quase todos os pacientes com câncer. A maioria sofre de anorexia ou perda de apetite como consequência da doença. É compreensível que a depressão causada por um diagnóstico de uma doença grave, assim como a dor, diminua qualquer desejo de se alimentar.

Em geral, o tratamento oncológico e até a própria doença, podem causar inúmeros efeitos colaterais no paciente, como perda de apetite ou de paladar, náusea/vômito, diarreia, constipação, boca seca, fadiga, entre outros. Mas uma terapia nutricional adequada pode ajudar a contornar boa parte deles, além de fornecer calorias, proteínas e outros nutrientes necessários para manter o peso e auxiliar na recuperação.

Conheça alguns recursos da nutrição oncológica para alívio dos sintomas e efeitos colaterais, além de fortalecer o organismo para enfrentar a doença:

  • Planejar as refeições para os momentos do dia em que provavelmente terá menos náuseas e ânsia de vômito. Se não conseguir, comer pequenas refeições e lanches ao longo do dia.
  • Acrescentar em todas as refeições alguma proteína, carne magra, ovos, iogurte, queijos brancos ou suplementos proteicos, dessa forma o organismo poupa o tecido muscular.
  • Deixar outra pessoa preparar as refeições. O cheiro dos alimentos enquanto estão sendo cozidos pode provocar náuseas. Alimentos servidos frios ou a temperatura ambiente exalam menos cheiro.
  • O gengibre e o hortelã são grandes aliados no tratamento das náuseas e pode ser consumido de várias formas, chá, sucos, molho para saladas e bolo.
  • Descansar por meia hora após as refeições, de preferência sentado ou em pé. Reclinar pode provocar refluxo, náusea e vômito.
  • Se está com mucosite (feridas na boca) preferir alimentos amassados ou cremosos com sabores suaves como sopas (batata, baroa, abóbora), mingaus e sobremesas. Evitar alimentos salgados, condimentados ou ácidos. O bochecho com chá de camomila 3 vezes ao dia além de prevenir a mucosite reduz a intensidade das lesões já existentes.
  • Se a boca seca dificulta engolir, liquidificar os alimentos ou umedecê-los com molhos, caldas ou geleias. Uma alternativa, são os picolés caseiros que podem ajudar a diminuir o desconforto da xerostomia.
  • Se a diarreia for um problema, evitar alimentos gordurosos, cafeína, frutas com casca, produtos à base de grãos integrais, laticínios e outros alimentos que possam agravar o problema.
  • Se a constipação for um problema, aumentar a ingestão de água, comer mais frutas com casca e bagaço, verduras, legumes e produtos à base de grãos integrais. Adicionar azeite nas refeições e evitar alimentos constipantes (tapioca, polvilho, caju, goiaba). Sucos laxativos são bem-vindos.
  • Se a fadiga for persistente, uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3, fibras, oleaginosas, frutas e vegetais folhosos estão associados com menor probabilidade de fadiga.

E a hidratação? A hidratação é primordial no tratamento oncológico para aliviar sintomas como constipação e náuseas, e uma aliada na eliminação de compostos nefrotóxicos derivados de alguns quimioterápicos. Durante o tratamento alguns sintomas podem prejudicar o consumo adequado de água, como gosto metálico do paladar, inapetência e náuseas quando frequentes. A água quando saborizada com hortelã, gengibre, maçã, rodelas de limão ou laranja podem auxiliar na redução do gosto metálico e náuseas, mantendo o paciente hidratado.

O estado nutricional do paciente influencia diretamente o tratamento oncológico e a qualidade de vida do paciente, ou seja, desnutrição e perda de peso diminuem a resposta ao tratamento, baixam a imunidade, atrapalham processo de cicatrização e coagulação, aumentam risco de infecções e dificultam prognóstico. Até atividades do dia a dia podem ser afetadas. Quando há falta de nutrientes, o corpo humano faz de tudo para se manter; porém, suas reservas vão diminuindo, e consequentemente, a massa magra também.

A terapia nutricional adequada e individualizada – conjunto de procedimentos terapêuticos para manutenção ou recuperação do estado nutricional – previne desnutrição, reduz número de complicações no tratamento e no pós-operatório e evita a interrupção do tratamento.

Referência Bibliográfica https://www.nestleoncologia.com.br/convivendo-com-os-efeitos-colaterais

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