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ARGININA NA ATIVIDADE FÍSICA

Por Isabella Brescia

A L-arginina, um aminoácido básico e hidrofílico, o qual é classificado nutricionalmente como aminoácido condicionalmente essencial ou condicionalmente indispensável. A L-arginina apresenta funções relevantes no metabolismo proteico relacionadas à síntese proteica, no metabolismo do ciclo da ureia, na síntese de óxido nítrico, creatina e poliaminas, e na estimulação da secreção do GH. A L-arginina também apresenta capacidade imunoestimulatória e timotrófica e atua como precursora de prolina e hidroxiprolina, substâncias necessárias para a síntese de tecidos.

 A ingestão diária média de L-arginina é de 5 g e sua concentração plasmática é de aproximadamente 75 µM/L, sendo que esse valor é influenciado pelo estado alimentado e de jejum. Cabe ressaltar que o rim é o órgão primário responsável pela manutenção da concentração plasmática de L-arginina. Em indivíduos saudáveis, este aminoácido pode ser sintetizado em quantidades suficientes para atender a demanda fisiológica, com sua taxa de ressíntese endógena inalterada por diversos dias de deficiência de consumo. Entretanto, em períodos de rápido crescimento, ou em resposta ao estresse traumático ou patológico, sua demanda fisiológica pode não ser atendida de maneira sufi ciente por meio da ingestão dietética e ressíntese endógena, necessitando de fontes alimentares a fim de suprir suas necessidades.

Em função de existir uma demanda metabólica contínua de L-arginina, sua ressíntese pode ocorrer a partir do glutamato ou prolina, sendo a expressão de todas as enzimas necessárias para sua síntese restrita ao fígado e à mucosa intestinal. Outra via de ressíntese endógena ocorre a partir da citrulina que, quando captada pelo rim, se transforma indiretamente em L-arginina no ciclo renal e/ou diretamente no citoplasma das células endoteliais e dos macrófagos.

L-arginina e Óxido nitrico

Alguns trabalhos foram realizados avaliando o efeito do exercício físico sobre a produção de fatores relaxantes e sua correlação com os efeitos benéficos da atividade física. Evidências indicam que, quando praticado em intensidades moderadas, o exercício é capaz de induzir ao aumento do relaxamento da musculatura lisa vascular e não vascular, ação essa atribuída principalmente ao NO produzido pelas células endoteliais em resposta ao exercício. Com isso, o NO relaciona-se positivamente com os efeitos benéficos da prática regular de exercícios físicos e em condições basais:

Condições Basais

  • Homeostase sanguínea
  • Neurotransmissor
  • Antibactericida
  • Antiparasítico
  • Antiviral
  • Antitrombótico
  • Antiaterosclerótico

Exercício Físico

  • Sinalização intracelular
  • Estímulo para síntese proteica muscular esquelética
  • Maior tolerância ao esforço
  • Aumento da secreção de GH
  • Maior aporte de oxigênio à musculatura esquelética
  • Vasodilatação

L-arginina e Hormônio do Crescimento

A suplementação de L-arginina isolada ou em combinação com o exercício promove aumento significativo na secreção de GH em relação ao período de repouso; contudo, o exercício isolado ainda é o agente potencial para tal resposta endócrina, ou seja, indivíduos submetidos a um programa de treinamento apresentam aumento significativo na secreção de GH em relação ao repouso, suplementação isolada e combinada com exercício de L-arginina.

Aparentemente, todos os processos metabólicos relacionados com a atividade física são melhorados e potenciados com o uso da arginina, uma vez que ocorre melhor perfusão sanguínea ao nível muscular, proporcionando maior aporte de nutrientes (os músculos são capazes de produzir energia durante mais tempo) e de oxigênio (evitando e/ou protelando o processo de anaerobiose), ao mesmo tempo que favorece a eliminação das substâncias tóxicas acumuladas durante a prática da atividade física, facilitando o processo de recuperação muscular.

A administração oral de 3g/dia de L-arginina parece potencializar os efeitos do treinamento com pesos, proporcionando maior ganho de força e massa muscular e contribuindo para a diminuição do percentual de gordura corporal.

O efeito adverso observado na suplementação de altas doses de L-arginina, tanto aguda como crônica, como de qualquer outro aminoácido, está associada à ocorrência de desconforto gastrintestinal e diarreia.

Referência Bibliográfica

ANGELI, Gerseli et al. Investigação dos efeitos da suplementação oral de arginina no aumento de força e massa muscular. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13, p. 129-132, 2007.

NICASTRO, Humberto; ROGERO, Marcelo Macedo; DATTILO, Murilo. A suplementação de L-arginina promove implicações ergogênicas no exercício físico? Evidências e considerações metabólicas. Rev. bras. ciênc. mov, p. 115-122, 2008.

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